Tal vez, o leitor não saiba, mas a Venezuela, assim como o Brasil, Portugal, China e até mesmo a Coreia do norte, possui uma agência oficial de notícias http://www.avn.info.ve/
Como o leitor deve imaginar, esta agência de notícias procura transmitir os fatos de maneira que o governo venezuelano quer que os leitores, seja nacionais ou internacionais acredite que o governo esteja certo, hoje, quando escrevo este texto, as principais manchetes são: comunicado do governo venezuelano ao presidente dos EUA, que não descartou intervir militarmente no país, reunião da comissão de assuntos econômicos da assembleia nacional constituinte, e outros temas, sempre fazendo com que o leitor acredite na tese governista, de que a oposição venezuelana é que causa a crise e que o governo está fazendo o possível para a situação se solucionar.
Por outro lado, a mídia do nosso país e do resto do mundo noticia os fatos de maneira diferente, vejam esta reportagem da BBC http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39716719
E esta aqui: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37581085
Um acontecimento que ilustra bem a dicotomia da imprensa venezuelana e do resto do mundo foram as informações da eleição da assembleia nacional constituinte convocada por Maduro.
Enquanto o g1 noticiava no dia 30 de Julho que líderes internacionais se mostravam contra a eleição da assembleia nacional constituinte, que os protestos da oposição se intensificarão após a convocação das eleições por Maduro, que em um plebiscito informal organizado pela oposição a população tinha rejeitado as eleições, além do boicote da oposição as eleições e outras informações, conforme o leitor poderá verificar neste link http://g1.globo.com/mundo/noticia/venezuela-elege-assembleia-constituinte-neste-domingo.ghtml.
Após as eleições o mesmo G1 noticiava que a esposa e o filho do presidente tinham sido eleitos http://g1.globo.com/mundo/noticia/filho-e-mulher-de-maduro-sao-eleitos-para-assembleia-constituinte-da-venezuela.ghtml e que apenas 12,41% dos eleitores teriam votado, que tinham havido 10 mortes segundo o ministério público venezuelano, além de ter ressaltado os protestos que a oposição teria organizado http://g1.globo.com/mundo/noticia/4153-dos-eleitores-venezuelanos-votaram-na-assembleia-constituinte-diz-governo.ghtml.
Mas para a já citada agência de notícias da Venezuela as eleições foram um sucesso http://www.telesurtv.net/bloggers/Victoria-chavista-de-categoria-universal-20170803-0002.html.
Um outro órgão de apoio ao governo venezuelano, a Prença latina, do governo cubano também destacou fatores positivos da eleição http://www.prensalatina.com.br/index.php?o=rn&id=9672&SEO=conselho-eleitoral-constata-tranquilidade-nas-eleicoes-da-venezuela.Na segunda feira, jornais brasileiros e mundiais afirmavam que houve fraude nas eleições https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/02/internacional/1501678213_523507.html.
A imprensa oficial do governo venezuelano, claro negou esta informação.
Sobre as eleições da assembleia constituinte na Venezuela vale destacar a carta de apoio a Nicolas Maduro prestado pelo irmão de Fidel Castro http://pt.granma.cu/cuba/2017-08-10/carta-de-raul-ao-presidente-nicolas-maduro-moros e e a declaração de apoio feita pelo governo cubano a Maduro http://pt.granma.cu/cuba/2017-08-01/declaracao-do-ministerio-das-relacoes-exteriores-sobre-a-venezuela
Sobre a crise venezuelana e as eleições para a assembleia nacional constituinte quem está certo?
A mídia dos outros países e os governos internacionais, ou a mídia cubana e venezuelana e os governos desses países?
Acredito, que nenhuma das mídias, seja as dos outros países ou as governamentais de Cuba ou da Venezuela são imparciais, as últimas por motivo óbvio, a AVN, é mantida, tanto operacionalmente como de forma financeira pelo governo venezuelano que é proprietário desta, logo noticiará os fatos de acordo com as ordens de Maduro, já o jornal oficial de Cuba, Granma e a Prença latina, pertencem ao governo cubano, que é aliado de Maduro.
Já as mídias de outros países, como a Globo, também não são imparciais, já que são mantidas por grupos empresariais que possuem interesses de que os governos façam o que elas querem que façam, isto é, que mantenham regras favoráveis a atividade empresarial, mesmo que os trabalhadores sejam prejudicados.
Basta lembrar que em seus noticiários noturnos a rede Globo, sempre vincula reportagens em tom de propaganda dizendo que é importante fazer a reforma da previdência no Brasil, entrevista especialistas que seguem este pensamento e nunca entrevistam pessoas que são contra a reforma, esta empresa também em em editorial de 1964 apoiou o golpe militar, a destituição de Fernando Cólor em 1992, sua eleição três anos e também deu apoio a outras causas.
Por isso acredito que a abordagem da mídia sobre a crise da Venezuela deve ser analisada com cuidado, para não sermos manipulados.
Vamos fazer um rápido resumo da situação da Venezuela nos últimos 18 anos.
A Venezuela era governada por setores aliados aos EUA, por isso, foi um dos poucos países que não ouve a necessidade de intervenção militar nos anos 60, como eram governos da direita, não deram muita importância a causa social, naquela época, as reservas de petróleo já eram conhecidas, exploradas, mas a população não desfrutava desses recursos.
De acordo com a Wikipédia, que neste caso acredito ser confiável https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Ch%C3%A1vez
Chavez foi eleito em 1998 por um partido de esquerda, organizou um referendo para consultar a população sobre a criação de uma nova constituição, o resultado do referendo foi favorável ao governo e uma nova constituição foi promulgada em dois de dezembro de 1999 a constituição pode ser lida neste link: http://www.cne.gov.ve/web/normativa_electoral/constitucion/indice.php esta constituição possui um capítulo sobre direitos humanos, garantias e deveres, como a constituição brasileira, possui um artigo descumprido pelo atual governo que diz que qual quer cargo público pode ser desocupado se através de plebiscito que pode ser convocado por qual quer cidadão desde que consiga 25% de assinaturas de eleitores, possui capítulos sobre direitos culturais, sociais, econômicos, direitos dos indíginas, no capítulo que trata do poder execultivo há um dado interessante, a redação do artigo 226 traduzido paro o português é o seguinte: ""O presidente ou presidenta da república é o cheefe ou a chefe do Estado e do execltivo", ou seja a constituição deste país consagra, de forma explícita a possibilidade de uma mulher ocupar o cargo de presidenta da república! Isto, nenhuma mídia estrangeira fala, a inclusão da palavra presidenta também aparesce em outros artigos desta constituição.
Este documento também determina que o mandato presidencial é de seis anos e o ocupante pode se reeleger apenas uma vez.
Logo esta constituição, possui regras democráticas.
Chavez, conseguiu combater o analfabetismo em seu país e a desigualdade realmente diminuiu. Suas políticas foram boas para os trabalhadores, mas não para as empresas, tanto que teve uma tentativa de golpe em 2002.
Vale dizer que em 2004 Chavez realizou um referendo a pedido da oposição que tinha conseguido as assinaturas para saber se a população queria ou não que ele continuasse no poder, ele saiu vitorioso.
Com a crise de 2008 o barriu de petróleo desvalorisou e como a Venezuela possui dependência na venda deste produto foi atingida, em 2013 Chavez morreu e Maduro assumiu.
A oposição tem questionado seu governo, realmente houve desabastescimentos em mercados, a população enfrenta dificuldades para comprar gêneros básicos, conforme a própria mídia começa a aceitar, há muitos venezuelanos no Brasil.
Muitas pessoas, querem um governo de esquerda que mantenha os direitos sociais, mas no meio desta oposição também há setores que defendem o neoliberalismo, que pregam um estado mínimo, o que para mim é ruim para países da américa latina, Maduro deveria, no meu entender, que não sou estadista nem político acredito, que Maduro deveria explicar para a população sobre o temor da esquerda de surgimento de setores neoliberais, deixar que a oposição se explique e realizar um plebiscito para aferir os desejos da população, em vez de fazer isso, ele
assinou, ano passado o decreto 2323 que deu mais poderes ao presidente da república.
Em maio deste ano, convocou eleições para a assembleia nacional constituinte.
Uma assembleia nacional constituinte, se presta para redigir uma constituição, uma constituição dita a organização de um país e limita a competência e função dos três poderes, logo é possível que se cumpra o que a oposição teme , que o governo se torne mais rígido e dificulte as eleições de opositores, uma das primeiras ações governistas foi antecipar as eleições regionais para outubro, dificultando a articulação da oposição.
Por isso, acredito que as mídias de Cuba e Venezuelana esteja mais errada do que certa, não pode se falar em vitória chavista, já que mesmo levando em conta os dados governistas, apenas 41% dos eleitores votaram na eleição, mas também não é possível falar em protestos generalizados, já que apesar de muitos descontentamentos o governo deve possuir seguidores fiéis.
Para resolver a crise venezuelana, assim como no Brasil os políticos precisam ouvir mais as pessoas e seguir a vontade destas, por outro lado, as pessoas devem protestar sem violência, já que na Venezuela muitos setores da oposição tem apelado para este recurso.
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